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Alemânico

Postado por ACG - Associação Cultural Gramado domingo, 23 de outubro de 2016 Marcadores: , 0 comentários

No sudoeste da Alemanha, sobretudo em certas partes do estado de Baden-Württemberg, pêssego é "Pfirschig" e não "Pfirsich". Em algumas comunidades de língua alemã na região francesa da Alsácia, a manteiga não é palavra feminina, mas masculina: "der Butter" em vez de "die Butter".

No principado de Liechtenstein e na região austríaca de Voralberg, por sua vez, as pessoas não conversam ("reden"), mas (diz-se que) tagarelam ("schwatzen"). E, na Suíça alemã e em alguns pontos da Itália, onde também se fala o dialeto alemânico (Alemannisch), como nos outros lugares já citados, diz-se "ne‘ schöne Sonntig!" para se desejar um bom domingo, em vez de "einen schönen Sonntag". Como se vê, o alemânico pode ser considerado um dialeto europeu.

Todo domingo, os feirantes armam suas barracas à sombra da Catedral de Freiburg, de manhã bem cedinho. Empilham suas caixas de legumes, frutas e verduras; penduram o toicinho e o presunto defumado nos ganchos; atraem os passantes com o aroma de pão fresco e queijo temperado. Aqui só se fala alemânico.

"Ich will des einfach au pflege. Aber je näher, dass d´ Leit bei Freiburg wohnet, desto stärker verlieret sie den Dialekt" ("Quero simplesmente cultivá-lo. Mas quanto mais perto de Freiburg as pessoas moram, mais vão perdendo o dialeto"), lamenta Christian Wisser (30), um alemão do Glottertal. Lá onde ele nasceu e vive, ainda se fala alemânico, assim como em certas áreas da Floresta Negra e da região de Kaiserstuhl. Nos centros urbanos, as pessoas ainda sabem apreciar as especialidades regionais, como a aguardente de cereja ou pêra, os pães assados em forno a lenha – todas essas coisas que os camponeses trazem toda semana às feiras da cidade. Mas, para Christian, cultivar a tradição é mais do que isso. "É só ver os meus afilhados que estão no jardim da infância, por exemplo. Já começaram a misturar elementos da língua padrão. Aí, fico pensando: 'Menino de Deus, você já não é mais dos meus: você fala alemão, e eu, dialeto'."

Mas como assim? Freiburg, Floresta Negra, Glottertal – tudo isso fica na região de Baden. E em Baden se fala um dialeto próprio, o Badisch, ou não? Que história é essa de alemânico? Para isso, só mesmo consultando um especialista.

"O alemânico é falado na Alsácia, na região ao sul de Karlsruhe até Lech, portanto na Suíça, além de Liechtenstein e da Áustria. Incluindo algumas pequenas ilhas linguísticas na Itália, são seis países ao todo", diz o linguista Rudolf Post, da Universidade de Freiburg.

De Karlsruhe até a fronteira suíça, em parte da Floresta Negra, ao leste até Villingen-Schwenningen, ao sul até o Lago Constança, as pessoas falam alemânico. Sendo assim, o alemão falado na Suíça (Schwyzerdytsch) também é alemânico. E, a bem da verdade, na Alsácia não se fala alsaciano, mas sim uma variação do alemânico.

Mas de onde vêm os alemânis, falantes deste dialeto? Na verdade, eles nunca constituíram um povo homogêneo, mas sim uma comunidade multiétnica que povoou a atual área de influência do dialeto nos primeiros séculos da nossa era.

"O alemânico é um dialeto relativamente antigo, que manteve algumas formas do médio alto alemão, como o 'u' longo em palavras como 'Huus' [Haus, casa] ou outras variantes igualmente antigas, como 'Bruader' para 'Bruder' [irmão]", explica Post.

Mas isso não quer dizer necessariamente que em Baden, na Alsácia, em Liechtenstein e na Suíça as pessoas se entendam perfeitamente. Muitas vezes elas têm dificuldades de compreensão. Inclusive dentro da própria Alemanha. Dependendo da região, a palavra "varrer" pode ser "fegen", "kehren" ou "schweifen". Uma verdura, como "Feldsalat", pode ter 12 nomes diferentes!

Diante da ameaça de extinção dos dialetos, há comunidades que se empenham em cultivá-los na escola. Na Alsácia, por exemplo, uma região disputada há séculos por franceses e alemães e desde a Segunda Guerra definitivamente pertencente à França, há municípios onde o dialeto faz parte do currículo escolar, além das duas línguas padrão.

Em Ingersheim, por exemplo, um lugarejo de 4500 habitantes entre Colmar e Kaysersberg, as crianças aprendem francês, alemão e o dialeto alsaciano. "Claro!", diz o prefeito Gérard Kronenberg. "Todas as crianças na escola, os alunos turcos, todo mundo aprende dialeto. Os marroquinos e outros imigrantes, todos aprendem a falar perfeitamente o alsaciano!"

(Fonte: DW)

Floresta Negra

Postado por ACG - Associação Cultural Gramado sábado, 15 de outubro de 2016 Marcadores: 0 comentários

Localizada no sudoeste da Alemanha, a região da Floresta Negra é o lar de uma rica e diversificada tradição cultural – afinal, ela tem cerca de 150 quilômetros de extensão de norte a sul. De leste a oeste, são 50 quilômetros na parte sul e aproximadamente 30 quilômetros na parte norte. Situada ao longo das fronteiras com a Suíça, ao sul, e com a França, a oeste, a Floresta Negra tem sua própria identidade cultural. Esta foi influenciada tanto pelos hábitos e costumes dos países vizinhos quanto pelas condições de vida na própria região.

Algumas das coisas tidas no exterior como tipicamente alemãs são oriundas da Floresta Negra, como o chapéu Bollenhut, os relógios cuco e o famoso bolo Floresta Negra. No entanto, é preciso mencionar que o quitute teria sido servido pela primeira vez em 1915 na antiga cidade de Bad Godesberg, atualmente um subúrbio da ex-capital federal Bonn.

A famosa cidade de Baden-Baden, no noroeste da Floresta Negra, é conhecida por suas casas no estilo francês do século 19, com varandas esculpidas em tons pastel.
Na região dos lagos, ao sul de Freiburg, há um limite de altura para a construção de novos edifícios. Estes também devem ser construídos com hastes de madeira encaixadas entre si. As casas no estilo enxaimel com gerânios vermelhos na varanda são associadas em todo o mundo à Alemanha. Fora das cidades, a arquitetura é bem mais modesta. Assim como a vida, pois devido ao terreno e à densa vegetação, responsável pelo nome Floresta Negra, muitos vilarejos eram de difícil acesso ou, às vezes, até completamente isolados do mundo, sendo os habitantes autossuficientes.

No museu ao ar livre Vogtsbauernhof, em Gutach, na Floresta Negra, tenta-se retratar não apenas a vida e o cotidiano do século 20, mas também as diferenças entre vilarejos. Depois de se dedicar inicialmente mais às questões agrícolas, em particular ao estilo de vida rural nas aldeias remotas, o museu reconstruiu a partir de 1963 edifícios históricos de diferentes regiões da Floresta Negra.
  
No tour por essas construções, os visitantes podem vivenciar a vida modesta do século 17. Naquela época, a comida era preparada em fogões e fornos a lenha na cozinha, que também serviam para aquecer a casa no frio congelante do inverno. Mais tarde vieram os fornos de azulejos, mais eficientes. Cada casa tem suas peculiaridades. As funções delas nas aldeias de onde foram tiradas são explicadas em frases curtas, assim como o modo de vida nos vilarejos da Floresta Negra entre os séculos 16 e 19. Os visitantes aprendem sobre métodos antigos de cozimento, técnicas de tecelagem e sobre a vida dura e o trabalho nas isoladas áreas de floresta.

Entre as duas maiores construções da fazenda estão galpões e casas nos quais são apresentadas atividades especiais e técnicas artesanais da era pré-industrial. Há uma serraria, que transforma troncos maciços de árvores em vigas e tábuas, e um moinho d'água, no qual grãos de trigo são moídos. Quem estiver por lá na hora certa pode admirar essa técnica antiga em ação. Os visitantes que seguem o caminho bem demarcado do museu ao ar livre passam por jardins com plantas nativas da região. Eles também podem ouvir os guias vestidos em trajes tradicionais explicando as especificidades da pecuária local. São contadas ainda anedotas sobre rivalidades centenárias entre vilarejos, e o significado de cada vestimenta é explicado.

Enquanto o programa muda diariamente, há também eventos sazonais regulares da Páscoa até outubro – assim como num fim de semana no período do Advento e na noite de Natal. No museu, também são encenadas batalhas históricas entre diferentes vilarejos. Após as impressões da visita ao museu ao ar livre Vogtsbauernhof, é provável que muitos anseiem pelos bons velhos tempos na Floresta Negra.

Cápsula do Tempo

Postado por ACG - Associação Cultural Gramado domingo, 9 de outubro de 2016 Marcadores: 0 comentários

Cápsula do tempo nazista é encontrada na Polônia. Cilindro de cobre enterrado na década de 1930 guardava moedas, jornais e exemplares do livro "Minha Luta", de Adolf Hitler. Arqueólogos surpreenderam-se com o conteúdo.

Uma série de jornais, moedas, fotografias e livros do período nazista foi encontrada em ótimo estado de conservação por um grupo de arqueólogos que desenterrou uma cápsula do tempo na Polônia, divulgaram autoridades locais. A cápsula foi encontrada no dia 20 de setembro.

O cilindro de cobre havia sido enterrado em 1934 na cidade polonesa de Zlocieniec, no noroeste do país, junto às fundações do prédio de um antigo centro de treinamento nacional-socialista.

Os pesquisadores iniciaram as buscas pela cápsula quando ouviram falar que o cilindro poderia conter um filme que teria registrado os festejos dos 600 anos da cidade, que foram celebrados em 1933. Hoje na Polônia, naquela época Zlocieniec fazia parte da Alemanha com o nome de Falkenburg.

Autoridades da cidade afirmaram, no entanto, que a cápsula não continha qualquer filme, mas sim memórias nazistas, incluindo dois exemplares do livro Minha Luta, obra escrita por Adolf Hitler. Sebastian Kuropatnicki, porta-voz das autoridades locais, disse que, embora os objetos retratem "um período do mal", eles têm valor para os historiadores da cidade. A prefeitura pretende organizar um pequeno museu para exibir os itens, acompanhados de informações críticas sobre o período.

(Fonte: DW)