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Crise Migratória Alemã

Postado por ACG - Associação Cultural Gramado quinta-feira, 2 de janeiro de 2014 Marcadores:

A permissão para romenos e búlgaros trabalharem livremente dentro da União Europeia desde a virada do ano abriu a primeira crise no recém-criado governo da chanceler alemã, Angela Merkel. O novo ministro do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, do SPD (Partido Social-Democrata), atacou ontem a posição do CSU (União Social Cristã) contra a chegada de imigrantes europeus. "O livre movimento de trabalhadores é parte vital da integração europeia e a Alemanha tem se beneficiado imensamente e certamente muito mais que outros", afirmou o ministro a um jornal alemão.

O conservador CSU é co-irmão do CDU (União Democrata Cristã), partido de Merkel. Em seu terceiro mandato desde dezembro, ela teve de se aliar ao SPD, então na oposição, para poder governar com maioria no Parlamento. Agora, precisa contornar a primeira crise. O CSU havia defendido no começo da semana, entre outras coisas, medidas contra o que chama de "abuso" de imigrantes europeus em busca de benefícios do governo. A legenda disse que o comportamento da UE tem sido "desastroso".

O pano de fundo da discórdia é a mudança de regras para Romênia e Bulgária. Os dois países entraram em 2007 na UE, mas só a partir deste ano seus cidadãos ganharam livre trânsito para trabalhar em países como Alemanha, Reino Unido e França. Como são as duas nações mais pobres do bloco, há um temor de uma invasão de búlgaros e romenos em busca de emprego. Estima-se, por exemplo, que 370 mil pessoas desses países vivam hoje na Alemanha –há estudos que apontam agora um fluxo de até 180 mil por ano com as novas regras. A reação do ministro Steinmeier tem relevância porque, antes da coalizão montada, ele era um dos principais adversários de Merkel. Também do SPD, o novo ministro para assuntos da Europa, Michael Roth, afirmou que os conservadores cristãos "não compreendem" o continente. Merkel, por enquanto, tem se mantido distante dessa polêmica.

No Reino Unido, o primeiro-ministro David Cameron, do Partido Conservador, tem manifestado publicamente a intenção de barrar a chegada de romenos e búlgaros, usando, para tanto, medidas que restringem o acesso a benefícios públicos. 

(Fonte: Folha SP)

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