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Xenofobia na Alemanha

Postado por ACG - Associação Cultural Gramado domingo, 22 de setembro de 2013 Marcadores:

Na Alemanha, assim como em outros países europeus atingidos pela crise econômica, o tema imigração tem sido um dos principais itens da campanha para as eleições gerais, marcadas para 22 de setembro. Partidos de extrema-direita aproveitam o momento de crise e tentam sensibilizar os eleitores com uma agenda recheada de elementos xenófobos. Com menos oportunidades de emprego e com a população submetida aos rigores dos planos de ajuste econômico do governo, o imigrante é mostrado como vilão aos eleitores. Ironicamente, o radicalismo da campanha da direita tem servido também para aumentar a visibilidade dos partidos antinazistas que aproveitam para atacar a presença dos extremistas nas ruas. O embate tem se manifestado abertamente, como no comício do NPD, Partido Nacional Democrata, de extrema-direita, realizado recentemente em Hellersdorf, um subúrbio de Berlim, acompanhado pela reportagem da BBC Brasil. Em entrevista à BBC Brasil, Ronny Zasowk, representante do NPD, disse que o partido tenta concentrar a campanha em áreas onde a discussão sobre asilados políticos é mais acalorada. Em Hellersdorf, o NDP inflama o discurso xenófobo, usando como exemplo de 'desperdício' a existência de um dos inúmeros albergues para asilados políticos mantidos pelo governo existentes no país. Nele, vivem mais de 200 estrangeiros recebidos pela Alemanha como asilados. A maioria vem de países em conflito, como Síria e Afeganistão. Durante o comício, um militante gritava palavras de ordem contra imigrantes, enquanto que do outro lado da rua manifestantes autointitulados antinazistas aumentavam ao máximo o volume de um equipamento de som montado em um caminhão, para abafar o discurso adversário. 

Ao microfone, Zasowk gritava que o NPD não descansará até que o último albergue destinado a asilados políticos seja fechado. Ao lado, uma faixa com dizeres que tentam passar a ideia de um futuro no qual o cenário político alemão será 'dominado' por imigrantes: 'Hoje somos tolerantes, amanhã (seremos) estrangeiros no próprio país'. Além dos ataques aos estrangeiros, o NPD também defende que a fronteira da Alemanha volte a ser o que era em 1937, antes da Segunda Guerra Mundial. Na manifestação em Hellersdorf, o grupo extremista estava em minoria. Eles somavam cerca de 150 militantes, enquanto do outro lado de uma forte barreira policial 700 pessoas protestavam contra a presença do NPD. Entre eles representantes dos partidos de esquerda, como os sociais-democratas, os verdes e membros do Die Linke (na tradução livre, A Esquerda). [...] 

Relatórios do serviço de segurança alemão afirmam que o NPD promove o racismo, a xenofobia e o antissemitismo, o que é inconstitucional no país germânico. 'Existem muitos bons motivos para banir o NPD, como seu radicalismo e suas posições anticonstitucionais e antidemocráticas, mas de um ponto de vista político-estratégico, não é o melhor caminho', defende Hartleb. No entanto, ele reconhece que a proibição do NPD teria um impacto positivo na reputação da Alemanha frente à opinião pública internacional. Na história alemã, a proibição de partidos só ocorreu duas vezes: quando os nazistas baniram o Partido Comunista na década de 30 e quando o Partido Nacional-Socialista, de Adolf Hitler, foi extinto após a Segunda Guerra Mundial.

(Fonte: G1)

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