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Exposição de Arte Alemanha

Postado por ACG - Associação Cultural Gramado domingo, 2 de junho de 2013 Marcadores: ,

Entre os poemas do livro “Pequenos poemas em prosa”, de Charles Baudelaire, existe um que é uma excelente carapuça para a exposição “Espaço de Arte Alemanha”, cuja vernissage ocorre nesta quarta (29), no Museu do Estado de Pernambuco (MEPE), organizada pelo Centro Cultural Brasil-Alemanha (CCBA). Em “O estrangeiro”, uma voz pergunta insistentemente a quem ama tal homem enigmático: seu pai, sua mãe, seus irmãos, seus amigos, sua pátria. Ele não afirma amar nenhum. “A quem tu amas, então, extraordinário estrangeiro?”, indaga a voz. “Eu amo as nuvens... as nuvens que passam lá longe... as maravilhosas nuvens”, ele responde. 

O texto é, em sua poesia, uma metáfora exata do que impulsionou a curadora Ursula Zeller a pensar essa mostra, que abre o Ano Alemanha-Brasil 2013/2014. As nuvens de Baudelaire são, na visão dela, a arte contemporânea, aquilo que ultrapassa fronteiras rumo à universalidade: ambos podem estar em qualquer lugar do mundo. “A internacionalização da arte contemporânea se revela em acontecimentos artísticos criados para um público mundial e que, por isso, perdem cada vez mais sua marca nacional”, explica a curadora, no catálogo do evento. Do mesmo modo, o artista ocupa, na teoria defendida por Ursula, o papel do estrangeiro no pensamento do poeta. “Em nosso planeta, os artistas são nômades espirituais que vão de um lugar ao outro para realizar suas visões”, defende. “Se mui­tos artistas alemães se mudaram nos anos 1950 pa­ra Paris, a metrópole das artes, ou, a partir dos a­nos sessenta, para Nova Iorque, muitos artistas de outras nações, por outro lado, escolheram a partir dos anos 1990 cada vez mais a Alemanha como pon­to central de sua vida e de seu trabalho”, continua. Assim, a exposição “Espaço de Arte Alemanha” reúne 13 artistas de diversas nacionalidades que marcaram a arte alemã nos últimos 40 anos. Entre os selecionados, estão Armando (Holanda), Candice Breitz (África do Sul), Tony Cragg (Inglaterra), Marianne Eigenheer (Suíça), Ayse Erkmen (Turquia), Christine Hill (EUA), Magdalena Jetelová (República Checa), Per Kirkeby (Dinamarca), Joseph Kosuth (EUA), MarieJo Lafontaine (Bélgica), Nam June Paik (Coréia do Sul), Giuseppe Spagnulo (Itália) e Herman de Vries (Suriname). 

A mostra quebra o paradigma de que a cultura alemã só pode ser representada por artistas nascidos neste país e investiga sua influência sobre temas, mídias e formas de expressão do discurso atual. É possível, por exemplo, conferir de Candice a série “Factum”, em que a proposta é enfatizar a subjetividade a partir de vídeos em que gêmeos revelam diferentes visões sobre os mesmos questionamentos. Ainda se pode observar, de June Paik, o trabalho “TVVela”, uma crítica à mídia de massa ao transformá-la em um meio de contemplação, a partir de uma vela disposta dentro de um televisor. “Todos tomaram por si a decisão de viver na Alemanha. Eles fazem parte dos migrantes da primeira geração, trazendo consigo o olhar, o saber e o estímulo de fora”, afirma Ursula. É um tanto o que ocorre quando Caetano Veloso canta a música “Estrangeiro”, do álbum homônimo (1989): “O pintor Paul Gauguin amou a luz na Baía de Guanabara/ O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela [...]Sou cego de tanto vê-la, te tanto tê-la estrela/ O que é uma coisa bela?”. Os artistas imigrantes estimulam e enriquecem a cena cultural do país que os recebem, com sua visão externa. Quem recebe o produto já o vê a partir de olhos privilegiados. 

A mostra “Espaço de Arte Alemanha” abriu no dia 29 de maio, no Mepe (Av. Rui Barbosa, 960, Graças), e as visitações poderão acontecer até 28 de julho, de terça a sexta-feira, das 9h às 17h; sábado e domingo, das 14h às 17h. A entrada é gratuita. Mais informações pelo site www.ccba.org.br.

(Fonte: Folha de Pernambuco)

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